A última reunião de tópicos teve um método um pouco diferente: foram feitas 16 perguntas, distrubuídas logo no início da aula. Cada aluno ficou com uma pergunta, e, com base no que já tinha lido do artigo, a respondeu o melhor possível.
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O resultado teve seus prós e contras: por um lado, todos participaram, construindo um conhecimento relativamente mais abrangente; por outro, não houve a clássica discussão ( a "caça aos vieses"), cabendo uma parcela bem menor de responsabilidade aos alunos responsáveis por apresentar o estudo - justamente aqueles que mais sabiam. No fim das contas, houve acréscimo de conhecimento, sim, mas não houve aprimoramento da capacidade crítica.
O artigo, finalmente. Objetivo: " Investigar as mudanças comportamentais, bioquímicas e morfológicas depois de exposição a diferentes durações de Hipóxia Hipobárica". A Hipóxia (baixos níveis de Oxigênio) se caracterizou como Hiperbárica tendo como objetivo imitar altas altitudes: no caso, ao se imitar a altitude de 6.100m, uma baixa pressão foi necessária para refletir a realidade. Diversos ratinhos foram divididos em 5 grupos. Deixando-se um grupo para controle (em normóxia), os grupos restantes se diferenciaram pelo tempo em que foram expostos ás condições do experimento: 3, 7, 14 e 21 dias de exposição.
O que motivou o estudo foi a avaliação dos diversos efeitos da Hipóxia Hiperbárica (HH), principalmente tendo-se em vista o curioso efeito da HH sobre a memória espacial dos animais em questão. Através de análises por software, foi disponibilizada no artigo uma análise de um dos testes realizados pelos ratinhos.
.O teste consistia em deixar os animais em um "labirinto de água", sendo que, em todo o percurso, só havia uma plataforma oferecendo possível ponto de apóio. Os animais eram deixados em um determinado ponto do labirinto, sendo ajudados nos primeiros testes pelos cientistas; depois, o caminho devia ser feito exclusivamente pelos ratos. Vários testes destes foram realizados para cada rato de cada grupo, sendo feito em situação de HH ou em situação de normóxia. A comparação entre os diferentes testes é chocante: existe diferença absurda entre o grupo controle e os outros - enquanto estes pareceram sequer melhorar com o treino, aqueles aprenderam a realizar rapidamente o caminho, fazendo-o progressiva e mais eficientemente. Na figura disponibilizada, o traço característico do grupo de normóxia

era reto, enquanto que os dos outros grupos dificilmente poderiam ser mais tortuosos.
A principal razão encontrada foi lesão celular: apoptose de neurônios nas áreas hipocampal, estriada e cortical. Essas áreas estão relacionadas com a memória espacial, movimentação e planejamento motor cortical. A apoptose é um tipo especial de morte celular: é a morte celular programada (no caso, mediada por caspases). No estudo em questão, as alterações verificadas se deveram, basicamente, ao estresse oxidativo presente devido á alteração do ambiente oxidativo. O estresse oxidativo (situação de preponderância de espécies reativas de oxigênio/nitrogênio em relação a mecanismos de proteção anti-oxidativos intrínsicos do organismo) foi verificado basicamente por espectrofotometria, e sendo avaliados entre outros a taxa GSH/GSSG, SOD, resultados de colorações de Nissle e identificação de células piknóticas (células com DNA fragmentado), análise de ramificações dendríticas e medidas de peroxidação lipídica. A medida de GSH/GSSG (relação entre glutationa reduzida por glutationa oxidada) teve como objetivo verificar o quanto do arsenal de glutationa reduzida - que neutraliza radicais livres - havia sido utilizado; a SOD também está envolvida em processos de neutralização de radicais livres, tranformando compostos altamente reativos em peróxido de hidrogênio (metabolizado, depois, pela catalase); a identificação de células pknóticas e das ramificações dentríticas teve como objetivo verificar o nível de dano a estruturas intracelulares, desde ramificações até mesmo material nucléico; e, por último, vem a análise da peroxidação lipídica, como avaliação do dano efetivamente realizado pelas espécies reativas á superfície celular. Várias medidas de diferentes compostos também foram realizadas avaliando-se a composição do sobrenadante (parte de densidade específica em uma mistura após centrifugação) das áreas do SNC em questão.
Como era de se esperar, foi verificado dano devido á mudança do ambiente oxidativo intra e intercelular. A menor quantidade de Oxigênio teve como consequência uma quantidade insuficiente de receptores finais de elétrons no final das cadeias oxidativas de obtenção energia (afinal, o Oxigênio é esse receptor, que acaba se transformando em água ao receber os elétrons e prótons vindos de compostos metabólicos oriundos do Ciclo de Krebs). Com elétrons sem receptores no final dos processos, a reatividade do sistema aumentou, e os danos decorrentes das reações ocorridas trouxeram o resultado comportamental observado no teste do labirinto.
Um questão de relevância presente no estudo foi a progressão das sequelas e danos pelo tempo de estado em HH. Como se esperaria, de um modo geral quanto maior o tempo de exposição maior o dano decorrente dele, isso valendo para o dia 7 em relação ao dia 3 e para o dia 14 em relação ao dia 7. Contudo, os efeitos adversos começaram a diminuir no dia 21, ao invés de apresentarem danos maiores ainda que os verificados no dia 14. Isso se deveu, principalmente, a uma adaptação do sistema de defesa anti-oxidante para a nova situação apresentada, o que configura o início do processo de recuperação do organismo em relação á situação adversa apresentada.
Estêvão Cubas